17 de agosto de 2012

Free Mandela vs free pussy riot.

Quando os telejornais abrem com as pussy riot, o jornalista a repetir pussy vezes sem conta, pergunto-me se estarei a ouvir bem. Três palerminhas, lá longe, na grande mãe autocrática chamada Rússia, velha de séculos ditatoriais, com as cabeças metidas num gorro gritam alienadamente contra um dos seus governantes, eleito, re-eleito e prestes a sê-lo. Não, não é o protesto em si, que me espanta. Há centenas deles por mês, milhares por ano. Há quem se regue com gasolina, quem faça greve de fome, quem se atire da janela. Estas três tontinhas meteram-se numa igreja, frenéticas, loucas, furiosas, a pular e a grunhir. O mundo aplaude. Não, não é o mundo aplaudir, o que me espanta, o mundo aplaude tudo o que faça ruído e tenha cor. Eu acho que o que me espanta nisto tudo é quase obrigarem-me a ser compassivo com três idiotas que querem fama, apoiar três malucas que acham que o poder autocrático da Rússia muda com os seus grunhidos histéricos. Lá longe há lutas para travar? Imensas. E cá não há? mesmo à porta de casa, dentro das nossas casas, não há problemas? Incontáveis. O mundo não encolheu assim tato, ou pelo menos teria encolhido se tivesse um cérebro. Felizmente que tudo isto, como  qualquer coisa que os média glorificam, acaba em pouco tempo. Coitado é daquele que luta em silêncio, que trabalha para se libertar e libertar os mais próximos, que está preso ou no exílio por querer uma liberdade séria, honrada e com valor. De resto, manifestações apoiadas por artistas como Madonna só revelam o que são: exercícios de estilo, hipócritas porque vindos de quem vive o cómodo luxo da liberdade. Definitivamente os ideais desmancham-se dia após dia na mediocridade dos seus arautos. Basta ver como soa confrontar free Mandela, ou free Aung San Suu Kyi com free pussy riot.

Sem comentários:

Enviar um comentário

A Democracia exige Responsabilidade individual. Nicks, anónimos ou mensagens insultuosas demonstram faltam de auto-estima, comportamentos associais e incapacidade de lidar com a opinião alheia e, como tal, não serão publicados.